Penso em ti tão aberto e caído para fora da cama, meio enrolado
meio preso num lençol a precisar de ser lavado.
que saudades eu tenho de lavar os dentes a correr pela casa, à tua procura
[encontro-te e digo coisas espumosas e babosas sobre o meu dia que foi igual aos outros mas que tem sempre todas as coisas que eu gosto de te contar, depois corro para a casa de banho para cuspir a pasta que já pica muito e faz os olhos chorar. lavo os pés. e depois assim tão fresca salto para cima da cama e abraço-te com tanta força que até choras e depois eu também choro e
assim não pode ser estamos sempre a chorar]
e assim tão aberto e tão caído é que eu gostava de te saber pintar,
e este amor de serenidade e inteligência desfaz-me os nós do peito e da barriga e dá-me ventos para eu soprar ou esperar para quando estiver mais quente
e este amor da beleza das nossas vidas dos olhos encontra na tua pele os pontos que quer ligar.
e que saudades dos banhos dos jantares e dos lixos que fizemos juntos.
dos teus livros nas mãos
tuas
corpo teu
no nosso sofá de napa.
e só ouço a tua voz de vez em quando
não sei quando,
suas quando tens olheiras a que horas adormeces e quando sorris.
não te vejo. os olhos os olhos. as nossas vidas dos olhos,
não não estão, não não são e a orelha quente.
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